Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

Capítulo 52: O Covil na Neve e o Acerto de Contas

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A tempestade de neve nos Alpes suíços uivava furiosamente contra a lataria da van blindada, transformando a estrada sinuosa em um labirinto branco e hostil. A centenas de metros dali, empoleirado na encosta íngreme de um vale isolado, encontrava-se o refúgio particular de emergência de Gordon Carmichael — uma fortaleza de concreto e vidro blindado disfarçada de chalé alpino de luxo.

Arthur reduziu a velocidade, estacionando a van em uma cavidade natural formada por rochas e pinheiros cobertos de neve, a uma distância segura dos sensores de movimento externos do complexo.

No banco traseiro, Erik Heller abriu seu kit tático de comunicação, conectando antenas de longo alcance para isolar qualquer sinal de rádio ou pedido de socorro que pudesse vir de dentro do chalé.

— Os sistemas de segurança locais estão totalmente isolados de Langley, mas Carmichael ainda tem uma linha de transmissão satelital dedicada operando no subsolo — explicou Erik, checando os monitores portáteis. — Se ele acionar o botão de pânico, vai destruir todos os servidores físicos antes que possamos colocar as mãos neles.

Hanna destravou sua submetralhadora com um clique seco, o som cortando o silêncio tenso da cabine. Ela respirou fundo, ajustando o coldre.

Arthur olhou para ela de relance. Ativando mentalmente a Visão Sincrônica da Loba (Rank SS), uma interface sutil se abriu em sua periferia visual, confirmando instantaneamente que Hanna estava em seu ápice absoluto: integridade física intacta, fadiga zerada e com o corpo perfeitamente adaptado ao frio extremo.

Arthur abriu um sorriso firme.

— Pronto? — perguntou Hanna, percebendo o foco analítico e a confiança absoluta do parceiro.

— Sempre — respondeu Arthur, abrindo a porta do motorista.

O vento congelante e cortante atingiu o exterior com força total, mas para o corpo evoluído de Arthur, turbinado pelo Multiplicador 1000x, o frio extremo era apenas um dado sensorial secundário. Movendo-se como sombras sob a nevasca densa, Arthur e Hanna contornaram o perímetro externo, ignorando as câmeras térmicas que a Percepção em Rank S permitia rastrear e desviar com precisão cirúrgica.

A primeira linha de defesa — dois mercenários encapuzados patrulhando o deck de madeira externa — não teve tempo de erguer as armas. Aproveitando a cortina de neve, Arthur avançou com velocidade supersônica. Um gancho cinemático certeiro no queixo do primeiro oponente o apagou instantaneamente, enquanto Hanna neutralizava o segundo com uma rasteira e um golpe preciso na nuca.

Silenciosos e letais, eles saltaram para a varanda do segundo andar, estilhaçando a fechadura eletrônica da porta de vidro com uma mini-carga de pulso eletromagnético.

O interior do refúgio era luxuoso, decorado com madeira nobre e lareiras apagadas, mas o clima ali dentro era de puro pânico. Antes que pudessem avançar pelo corredor principal em direção ao escritório de Carmichael, o piso estremeceu com o som de travas mecânicas pesadas sendo acionadas.

Do teto rebaixado, painéis blindados se abriram, revelando quatro operadores de choque da segurança particular de elite, empunhando escudos balísticos de liga de titânio e submetralhadoras com supressores.

— Emboscaram o corredor! — alertou Hanna, já assumindo postura de combate ao lado da escada.

Arthur não recuou um centímetro. Graças à Visão Sincrônica da Loba, ele sabia exatamente a posição, o ritmo respiratório e os micro-movimentos de Hanna cobrindo a retaguarda, permitindo-lhe focar inteiramente no assalto frontal sem a menor sombra de dúvida.

O primeiro mercenário disparou uma rajada supressora, mas o Multiplicador 1000x traduziu o trajeto das cápsulas em linhas previsíveis na mente de Arthur. Com um salto acrobático impulsionado pela Agilidade em Rank S+, Arthur aterrissou diretamente sobre o topo do primeiro escudo balístico. Usando o peso do oponente e a própria força bruta no nível A, ele esmagou a estrutura do escudo contra o piso de madeira com um estrondo ensurdecedor.

O operador caiu atordoado. Antes que o segundo pudesse reagir, Arthur executou um desarme em rotação, girando o corpo do primeiro guarda como um escudo humano contra os disparos restantes, enquanto Hanna, aproveitando a abertura no flanco oposto, disparava tiros de advertência precisa que incapacitaram as pernas dos dois mercenários de apoio.

O corredor principal transformou-se em um teste de fogo prolongado. Mais reforços começaram a subir emápulo pelas escadas de serviço, forçando Hanna a manter uma linha de fogo defensiva implacable. Cada segundo exigia reflexos sobre-humanos, com estilhaços de madeira voando e o eco dos disparos sacudindo as paredes do chalé alpino.

— Limpando o setor inferior! — gritou Hanna, desferindo uma coronhada precisa no último guarda que tentava flanquear a escada.

— Retaguarda segura — confirmou Arthur, checando rapidamente o status analítico da parceira pela interface, confirmando que ela mantinha 95% de integridade física após o cerco.

Quando o silêncio finalmente retornou ao corredor, pontuado apenas pelo estalar da neve contra as janelas blindadas, a voz de Gordon Carmichael ecoou subitamente pelos alto-falantes embutidos do teto. O tom habitual de arrogância fria havia dado lugar a um desespero mal disfarçado:

— Vocês acham que destruir a Trecht & Associates em Viena significa alguma coisa, Vance? Eu sou o Estado. Eu sou o sistema por trás do sistema. Entrem no escritório se tiverem coragem... mas vocês não encontrarão nada além de cinzas.

Arthur trocou um olhar glacial com Hanna. O aviso não passava de um blefe patético de um homem encurralado.

— Vamos ver quem vai virar cinzas — murmurou Arthur, avançando para a última porta de carvalho reforçado no final do corredor.

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