Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

Capítulo 48: Calor na Escuridão dos Alpes

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A fumaça e o eco da emboscada nos Alpes haviam ficado para trás, engolidos pela imensidão branca e silenciosa da montanha. Dentro da van blindada, o aquecedor interno zumbia suavemente, dissipando o frio cortante que tentava invadir o veículo.

No banco traseiro, Erik Heller finalmente havia cedido à exaustão, adormecendo profundamente com o tablet encriptado ainda apoiado no colo. Na cabine dianteira, o silêncio era preenchido apenas pelo ronco constante do motor e pelo ritmo cadenciado da estrada que serpenteava em direção a Viena.

Arthur mantinha os olhos fixos na pista molhada, com a Percepção em Rank S em modo de baixa voltagem, apenas monitorando o perímetro por precaução. Ao lado dele, Hanna estava recostada na porta do carona, com os braços cruzados sobre o peito e o olhar perdido nas sombras que as árvores projetavam sob a luz prateada da lua.

Apesar da adrenalina dos combates recentes, ali, naquele casulo de metal em movimento, a atmosfera era diferente. Era pesada, mas carregada de uma eletricidade íntima.

O Elo de Loba (Rank S+) entre eles nunca dormia. Mesmo sem trocar uma única palavra, Arthur conseguia sentir o fluxo dos batimentos cardíacos dela, a respiração lenta que começava a se acalmar e a tensão acumulada nos músculos da parceira.

Sem tirar os olhos da estrada, Arthur estendeu a mão direita, repousando-a suavemente sobre a coxa de Hanna. O toque foi firme, mas carregado de uma calmaria reconfortante.

Hanna sobressaltou-se por uma fração de segundo, seus instintos de predadora alfa reagindo ao movimento, mas relaxou quase instantaneamente ao reconhecer a assinatura térmica e o calor familiar de Arthur. Ela virou o rosto, os olhos azuis brilhando na penumbra da cabine.

Com um movimento fluido, Hanna cobriu a mão dele com a sua própria, entrelaçando os dedos com firmeza. Suas mãos, calejadas por anos de treinamento letal e sobrevivência extrema, encaixavam-se como peças de um quebra-cabeça moldado pelo destino.

— Você está pensando no que Marissa disse? — a voz de Hanna saiu como um sussurro baixo, quase inaudível acima do som dos pneus no asfalto.

— Estou pensando em como o tabuleiro está afunilando — respondeu Arthur, virando a cabeça por um breve segundo para encontrá-la com o olhar. Um sorriso suave suavizou a linha dura de seu maxilar. — Mas, acima de tudo, estou pensando em como chegamos até aqui. De prisioneiros descartáveis em uma instalação secreta a quem está ditar as regras do jogo.

Hanna soltou um meio-sorriso, um rastro raro de vulnerabilidade que pertencia apenas a ele. Ela deslizou para mais perto, inclinando o corpo e encostando a cabeça no ombro de Arthur, sentindo o peito dele se expandir em cada respiração controlada.

— Carmichael acha que nos controla usando o passado e o medo — murmurou Hanna, fechando os olhos por um instante, absorvendo a força absoluta que o vínculo entre eles transmitia. — Ele não faz ideia de que, ao nos caçar, só nos deu a chance de nos tornarmos imbatíveis juntos.

Arthur moveu levemente o braço para envolver os ombros de Hanna, puxando-a para mais perto enquanto mantinha o controle perfeito da van na curva fechada. Ele beijou suavemente os cabelos dela, sentindo o perfume de pólvora, chuva e pinheiro — o cheiro característico de sua loba.

— Deixe-o tentar nos parar em Viena — disse Arthur, a voz baixa, mas firme como rocha. — Vamos arrancar a raiz de tudo o que ele construiu. E depois disso... ninguém nunca mais vai nos separar.

Hanna ergueu o rosto, seus lábios encontrando os de Arthur em um beijo profundo, lento e carregado de promessas silenciosas. Era um oásis de calor e humanidade no meio da guerra fria que os cercava.

Quando se afastaram, os olhos de Hanna ardiam com uma intensidade renovada, a ferocidade de sua essência alinhada perfeitamente à determinação de Arthur.

À frente, entre os picos cobertos de neve, as luzes distantes de Viena começavam a pontilhar o horizonte. O acerto de contas final estava logo ali, mas, na escuridão daquela estrada, eles já haviam vencido a parte mais importante da batalha.

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