Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 46: A Sombra de Marissa e o Próximo Xeque
O eco da explosão controlada na instalação romana ainda reverberava mentalmente quando a van blindada cortou a neblina da madrugada em direção às colinas da Umbria. No banco de trás, Erik Heller revisava os arquivos descarregados do servidor principal, enquanto Hanna mantinha a guarda, o olhar afiado monitorando qualquer sinal de rastreamento no horizonte.
Arthur dirigia com precisão cirúrgica, os sentidos apurados pela Percepção em Rank S capturando até o sussurro do vento contra a lataria. O Multiplicador 1000x processava o fluxo maciço de dados capturados, decodificando as camadas mais profundas da hierarquia da CIA e dos remanescentes da Utrax.
— Eles não vão demorar a reagir — alertou Erik, erguendo os olhos do tablet encriptado. — Carmichael está encurralado, mas ele tem carta branca em Langley para acionar o protocolo de terra arrasada. Se ele cair, vai tentar levar tudo e todos com ele.
— Deixe-o tentar — disse Arthur, com a voz firme, transmitindo absoluta confiança através do Elo de Loba (Rank S+).
No entanto, antes que pudessem traçar a rota para o próximo esconderijo, o painel de comunicação secundário da van começou a piscar freneticamente com uma frequência criptografada desconhecida. Não era um sinal de ataque, mas sim um canal isolado de handshake — um protocolo de altíssimo nível usado apenas por agentes de campo de elite da CIA.
Hanna franziu o cenho, tencionando os ombros. A mão dela pousou instintivamente na empunhadura da arma.
— Isso não é de Carmichael — murmurou Hanna, reconhecendo a assinatura digital fragmentada. — É um canal antigo. Da época de treinamento... mas não faz sentido.
Arthur reduziu a velocidade da van, mantendo o veículo camuflado sob a copa densa de um bosque de pinheiros. Com gestos calmos, ele aceitou a conexão segura no terminal, redirecionando o sinal para evitar qualquer tipo de triangulação.
A tela estática deu lugar a uma imagem granulada. Quando o rosto apareceu, o ar dentro da van pareceu congelar instantaneamente.
— Marissa...? — a voz de Erik escapou em um sussurro estrangulado, o tablet escorregando por entre seus dedos e batendo no piso do veículo.
Hanna travou os músculos, os olhos azuis arregalados de pura incredulidade fitando o monitor. A arma quase escapou de sua mão. Ela deu um passo à frente, tateando o painel como se quisesse tocar a tela para provar que aquilo não era uma ilusão ou uma armadilha psicológica de Carmichael.
— Isso é impossível... — Hanna deixou escapar, a voz cortada pela surpresa absoluta. — Nós vimos... nós sabíamos que você estava morta!
Mesmo a mente de Arthur, impulsionada pelo processamento em milissegundos e pela Percepção em Rank S, sofreu um breve e raro colapso analítico. Seus olhos se estreitaram diante da tela. A anomalia estatística era colossal: Marissa Wiegler, uma figura dada como certa no registro de baixas definitivas do submundo da inteligência, estava ali, encarando-os com aquela frieza inconfundível.
Do outro lado da linha, a imagem de Marissa Wiegler mantinha-se imperturbável, embora houvesse um brilho cortante em seu olhar.
— A morte no papel é um luxo reservado para quem sabe manipular os arquivos de Langley, Erik. E pelo visto, vocês três causaram barulho suficiente na Europa para acordar os mortos, Vance — disse Marissa, direto de um local totalmente isolado e não rastreável. Seu tom trazia uma mistura calculada de aviso e urgência. — Carmichael foi desautorizado pelo comitê de supervisão devido ao fiasco financeiro e digital, mas ele não vai aceitar a derrota. Ele mobilizou uma unidade fantasma para caçar vocês pessoalmente, antes que os dados que roubaram venham a público.
Erik respirou fundo, tentando processar o choque de ver uma fantasma do seu passado voltando à tona.
— Por que nos avisar, Marissa? — perguntou Erik, a voz ainda trêmula de surpresa, mas recuperando o tom de cautela. — Você fazia parte do mesmo sistema que destruiu tudo o que construímos.
— Eu faço parte de quem sobrevive a ele, Erik — retrucou Marissa, sem vacilar. — Carmichael acha que é o dono do tabuleiro, mas ele esqueceu quem realmente puxa as cordas. Se vocês querem acabar com ele de uma vez por todas, precisam atingir a fonte de financiamento primária dele em Viena. É lá que o dinheiro real de Utrax é lavado.
A chamada encerrou-se com um bipe seco, deixando apenas as coordenadas geográficas de Viena piscando friamente na tela do painel tático.
O silêncio dentro da van era denso. Erik encarava o banco da frente em estado de choque mudo, enquanto Hanna virava o rosto para Arthur, os olhos ainda marcados pelo impacto da revelação, mas rapidamente substituídos por uma ferocidade renovada.
— Ela está viva... — murmurou Hanna, balançando a cabeça levemente antes de focar na missão. — Mas o aviso é real. Carmichael não vai parar.
Arthur sorriu de canto, engatando a marcha com um movimento fluido e decidido. O xadrez havia virado uma partida de apostas mortais, e os fantasmas do passado tinham acabado de entrar na mesa.
— Então vamos para Viena — disse Arthur, acelerando o veículo rumo à noite. — Vamos ver o quão profunda é essa toca de coelho.
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