Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 41: Neblina sobre a Antiga Livraria
As fronteiras nacionais eram apenas linhas imaginárias para quem dominava a Engenharia Social em Rank A- e contava com a eficiência implacável do Multiplicador 1000x. Menos de catorze horas depois de deixarem as instalações de The Meadows na Inglaterra, Arthur e Hanna já haviam atravessado o continente, movendo-se com a precisão silenciosa de fantasmas pela região central da Itália.
O destino era uma pacata e charmosa rua de paralelepípedos em uma cidade histórica da Toscana, onde a fachada de uma livraria antiga exibia tabuletas de madeira envernizada e vasos de gerânios vermelhos nas janelas.
A manhã trazia uma neblina leve que cobria os telhados de telhas romanas, conferindo ao lugar uma atmosfera de calmaria irreal. Mas para a Percepção em Rank S de Arthur, aquela calmaria era apenas uma casca fina cobrindo um mecanismo de pressão letal. Seus sentidos hiper-ampliados mapeavam cada rádio comunicador oculto, cada frequência de pulso acelerado e cada microfrequência de rastreamento a dezenas de metros de distância.
Escondidos na penumbra de um café fechado do outro lado da rua, Arthur ajustou o visor térmico tático integrado à sua visão periférica.
— Três alvos confirmados — murmurou Arthur, a voz baixa, quase imperceptível, enquanto sua mente processava os dados em milissegundos através da inteligência tática. — Um fingindo ler um jornal no banco da praça, à esquerda. Dois revezando o turno de vigia dentro de um sedã cinza estacionado na esquina oposta. Todos equipados com armamento de alta densidade e criptografia militar da CIA.
Hanna permaneceu imóvel ao lado dele, encostada na parede de pedra úmida. O Elo de Loba (Rank S+) pulsava entre eles, fundindo suas consciências em um ritmo cardíaco unificado. Ela não precisava olhar duas vezes para saber exatamente qual seria o plano.
— Eles estão esperando que façamos um movimento precipitado para resgatar o Erik às claras — disse Hanna, os olhos azuis fixos na figura despreocupada de Erik Heller, que agora varria a calçada em frente à livraria, cantarolando uma melodia antiga. — Se atacarmos os agentes da praça agora, alertamos o comando central de Carmichael na Virgínia.
— Exato. Por isso nós não vamos apenas resgatá-lo... vamos fazer com que eles pensem que o Erik sumiu por conta própria, enquanto deixamos um "presente" de boas-vindas para o time de extração deles — retrucou Arthur, com um sorriso de canto de lábio.
Com um gesto sutil, a sincronia do Elo de Loba ativou a aceleração cinética coletiva.
Em uma fração de segundo, antes que a neblina pudesse sequer dissipar o calor de seus passos, Arthur e Hanna desapareceram do vão do café. Para os olhos humanos, foi como se o ar tivesse se dobrado.
O agente disfarçado de leitor no banco da praça nem teve tempo de erguer o olhar do jornal. Uma mão firme e fria como aço cobriu sua boca instantaneamente, enquanto o redirecionamento cinético de Rank S neutralizou sua consciência com uma pressão milimetricamente aplicada na carótida, fazendo-o desmaiar sem emitir um único ruído. Seu corpo foi sutilmente recolhido para os fundos do beco antes de tocar o chão.
Enquanto isso, Hanna deslizava pela lateral da livraria, flanqueando o sedã cinza com a agilidade de uma predadora alfa. Os dois agentes dentro do veículo viram o reflexo no retrovisor um microssegundo tarde demais.
O vidro do motorista estilhaçou-se em uma chuva de cristais controlados, e a coronhada precisa de Hanna silenciou o primeiro operador, enquanto o segundo foi imobilizado em uma chave de braço letal que o deixou paralisado e desarmado em menos de três segundos.
Nenhum tiro disparado. Nenhum alarme sonoro ativado.
Segundos depois, Arthur empurrava a porta de madeira envernizada da livraria. O sininho tradicional soou suavemente, fazendo Erik Heller erguer os olhos de trás do balcão, piscando surpreso ao ver os visitantes inesperados.
— Arthur? Hanna? O que... o que vocês estão fazendo aqui na Itália? — perguntou Erik, a expressão mudando rapidamente de confusão para um sobressalto de pura preocupação ao notar a urgência nos rostos deles.
Arthur fechou a porta com calma, travando a tranca de segurança por dentro, enquanto os reflexos de Rank S monitoravam toda a rua lá fora.
— O jogo mudou, Erik — disse Arthur, firme, segurando o ombro do livreiro com uma seriedade inabalável. — Pegue apenas o essencial. Nós vamos dar a volta por cima, e o Sr. Carmichael está prestes a descobrir que cutucou a fera errada.
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