Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 39: A Cadeira Vazia e o Eco de um Convite Sombrio
Com um empurrão firme, Arthur abriu as pesadas portas duplas de carvalho escuro da sala executiva. O fuzil em suas mãos estava pronto para rastrear qualquer ameaça instantânea, enquanto os olhos de Rank S varriam cada centímetro do vasto escritório iluminado pelas frestas da chuva lá fora.
Hanna deslizou para o interior logo atrás dele, o olhar afiado como uma lâmina, a respiração em perfeita sincronia através do Elo de Loba.
Mas o cenário que encontraram não era o de um campo de batalha iminente.
A sala era luxuosa, decorada com estantes de livros raros, tapetes persas e uma imensa mesa de vidro fumê que dava para os jardins dos fundos. No entanto, a cadeira executiva de couro giratória estava virada de costas para a entrada. Nenhuma arma apontada, nenhum esquadrão de elite aguardando. Apenas o som suave de uma clássica melodia instrumental tocando em uma caixa de som discreta.
Arthur estreitou os olhos, sentindo que algo não encaixava no padrão tático esperado. Ele deu um sinal silencioso para Hanna, avançando cautelosamente pelo carpete macio.
— Sabíamos que vocês viriam — ecoou uma voz calma, polida e perfeitamente controlada vinda da cadeira.
Com um movimento lento, a cadeira girou.
Quem estava sentado ali não era John Carmichael. Era uma mulher de terno impecável, óculos de armação fina e um dossier de couro cinza sobre os joelhos. Ela exibia um sorriso cordial, completamente desprovido de medo, como se estivesse apenas recebendo convidados para uma reunião de negócios corporativa.
Hanna travou o maxilar, baixando levemente a arma, mas mantendo a mira firme. — Onde está Carmichael?
A mulher ajeitou os óculos, cruzando as pernas com elegância antes de responder. — O diretor Carmichael não pôde comparecer à nossa humilde recepção desta noite. Ele tinha compromissos mais urgentes em Washington... e, francamente, ele sabia que tentar conter dois anômalos do seu calibre com guardas comuns seria um desperdício de recursos humanos.
Arthur deu mais um passo à frente, a percepção hiper-ampliada captando cada microexpressão da mulher: batimentos cardíacos normais, ausência de tremores, o que significava que ela estava seguindo um roteiro ensaiado.
— Então ele mandou uma burocrata para morrer no lugar dele? — perguntou Arthur, a voz gélida e cortante.
A mulher riu de forma polida, sem se abalar. — Morrer? De jeito nenhum, Sr. Vance. Eu sou apenas a mensageira. O diretor pediu estritamente que eu entregasse isto a vocês, caso conseguissem chegar até aqui.
Ela levantou lentamente o dossier cinza sobre a mesa e o empurrou para a frente.
Hanna olhou para o objeto, depois para a mulher. Através do Elo de Loba, ela sentiu a hesitação tática de Arthur se transformar em cautela analítica.
— Abra — ordenou Hanna, a voz perfeitamente firme.
Arthur aproximou-se em dois passos rápidos, abriu a capa do dossier sem tirar os olhos da enviada e puxou o conteúdo para fora. Não havia planos militares ou ordens de execução ali dentro. Era uma única folha de papel impressa com uma mensagem curta e direta, assinada digitalmente por John Carmichael:
"Vocês acham que destruir instalações ou eliminar diretores vai quebrar a engrenagem? Utrax era apenas a casca. O sistema é uma ideia, e ideias sobrevivem aos seus criadores. Se querem a paz real, venham nos encontrar onde tudo começou. Mas saibam: o preço de cada degrau que sobem será pago pelas vidas daqueles que tentam proteger."
Abaixo da mensagem, havia coordenadas geográficas exatas e uma fotografia recente de Erik Heller cuidando da livraria na Itália, tirada poucas horas antes.
O sangue de Hanna gelou por um segundo, transformando-se imediatamente em uma fúria incandescente. O alvo deles não era apenas The Meadows; Carmichael estava usando Erik como peão em um xadrez global para atraí-los para uma armadilha definitiva.
A enviada ajeitou a gola do terno, levantando-se calmamente da cadeira. — O diretor aprecia o esforço de vocês. Mas a partida está apenas começando. Tenham uma boa noite.
Antes que Hanna pudesse erguer a arma para detê-la, a mulher pressionou um discreto botão de emergência sob a mesa. Uma cortina de fumaça densa e não letal disparou dos dutos de ventilação do teto, cegando temporariamente o ambiente, enquanto um alarme de autodestruição de dados ativava os terminais do escritório.
A fumaça se dissipou segundos depois, a enviada havia desaparecido por uma passagem secreta nos fundos da estante.
Arthur olhou para o papel na mão, sentindo a potência do Multiplicador 1000x processar o impacto emocional e transformá-lo em foco tático absoluto. Ele olhou para Hanna, cujos olhos azuis queimavam com uma intensidade mortal.
— Eles tocaram em Erik — disse Hanna, a voz baixa e letal, carregada de uma promessa de sangue.
Arthur envolveu os ombros de Hanna com firmeza, transmitindo toda a sua estabilidade através do Elo de Loba.
— Então nós vamos aceitar o convite deles — respondeu Arthur, com um sorriso frio e cortante. — Vamos até o fim do mundo, se for preciso. Mas Carmichael vai pagar por cada palavra
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