Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 33: A Fenda na Armadura InvisívelCapítulo 33: A Fenda na Armadura Invisível
Dois dias se passaram desde a tarde tranquila nos vinhedos. Na prática, a vida de Arthur e Hanna naquele refúgio costeiro na Itália era um triunfo da engenharia social. Com a habilidade de Engenharia Social / Disfarce Cívico em patamar elevado e o apoio dos sentidos hiper-apurados do Multiplicador 1000x, eles haviam tecido uma rede de identidades falsas tão perfeita, tão milimetricamente integrada ao tecido civil da cidade, que o próprio conceito de "ser encontrado" deveria ser matematicamente impossível.
Qualquer tentativa de varredura digital, reconhecimento facial ou cruzamento de dados bancários bateria em uma parede de calmaria simulada. Eles eram invisíveis. Fantasmas perfeitamente adaptados à luz do sol.
Era meados da manhã quando o sininho da porta da frente da livraria soou.
Arthur estava atrás do balcão, organizando uma edição antiga de poesia italiana, enquanto Hanna estava sentada em uma poltrona de couro ao canto, folheando um livro de arquitetura. O som do sininho não os sobressaltou, mas o padrão de passos que entrou no estabelecimento fez os instintos de ambos dispararem instantaneamente.
Não era o passo arrastado de um turista curioso ou o caminhar firme de um morador local. Era a marcha calculada, pesada e contida de alguém que conhecia o peso de um coldre sob o paletó.
A porta dos fundos do escritório se abriu, e Erik Heller apareceu. O veterano ex-agente estava pálido, vestindo um casaco simples, mas seus olhos injetados de sangue revelavam uma urgência desesperadora. Ele trancou a porta da frente com uma chave própria antes de se aproximar do balcão.
— Erik? O que aconteceu? Você disse que só viria em caso de emergência absoluta — disse Arthur, mantendo a voz calma, embora seus olhos de Rank S já estivessem escaneando cada centímetro do corpo de Erik em busca de ferimentos ou rastros.
Hanna levantou-se da poltrona com a elegância silenciosa de uma predadora, aproximando-se de Arthur e parando ao seu lado. O Elo de Loba vibrou na mente de ambos, alinhando a respiração e a prontidão de combate em milissegundos.
Erik apoiou as mãos trêmulas na madeira do balcão, respirando fundo antes de encarar o casal.
— Eu não queria estragar a paz de vocês. Juro que não queria — começou Erik, a voz baixa e rouca carregada de tensão. — Mas alguém encontrou vocês.
Arthur franziu o cenho levemente. Uma ponta de incredulidade fria cruzou sua mente. — Isso é impossível, Erik. Nossos rastros civis foram apagados, e o tráfego de dados é monitorado por mim. Ninguém tem o nível de acesso necessário para nos achar através da rede.
— Não foi pela rede, Arthur — retrucou Erik, engolindo em seco. — Não foi uma busca digital. Foi uma falha humana... ou melhor, uma sombra deixada por quem sabe exatamente como vocês pensam. Alguém rastreou o fluxo de suprimentos de equipamentos táticos do mercado negro em Viena que eu usei meses atrás. E o pior: essa pessoa não está trabalhando para a CIA.
Hanna deu um passo à frente, os olhos azuis faiscando com uma frieza perigosa. — Quem?
— Um antigo codetor de Utrax que conseguiu desertar antes da queda do Berçário — explicou Erik, tirando um pequeno pendrive criptografado do bolso e colocando-o sobre o balcão. — Ele chama a si mesmo de O Arquiteto. E ele não quer matar vocês... ele quer o que sobrou dos arquivos genéticos e o segredo de como vocês sobreviveram ao sistema. E ele sabe exatamente onde vocês estão escondidos.
O silêncio que se seguiu no interior da livraria foi cortado apenas pelo tique-taque distante de um relógio de parede.
Hanna olhou para Arthur. Não havia medo em seu rosto — apenas a certeza absoluta de que a caçada havia retornado à sua porta. Ela estendeu a mão, entrelaçando firmemente seus dedos nos de Arthur, sentindo o calor e a firmeza inabalável dele.
Arthur apertou a mão dela, sentindo a energia latente de seus Atributos de Rank S e a potência do Multiplicador 1000x zumbindo em suas veias. O disfarce havia cumprido seu papel por seis meses, mas se o inimigo queria encontrá-los na marra, eles mostrariam que o monstro que havia destruído a Hidra não estava enferrujado.
— Parece que as férias acabaram, loba — disse Arthur, com um sorriso de canto afiado como navalha.
Hanna devolveu o sorriso, o brilho letal e confiante retornando aos seus olhos. — Ótimo. Eu estava entediada de qualquer maneira.
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