Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 29: Além do Espelho e o Calor na Frieza
O ar no interior de O Berçário cheirava a ozônio, metal limpo e o vazio estéril de uma instalação cirúrgica subterrânea. Conforme Arthur e Hanna avançavam pelo segundo subsolo, a resistência se tornou mais densa, mas também pateticamente inútil contra a nova realidade deles.
Mais um esquadrão de segurança avançou pelo corredor de teto arqueado, disparando em formação cruzada.
Para Arthur, cujos atributos haviam atingido o ápice da adaptação, a cena desenhou-se em câmera lenta. Ele podia ouvir o estresse mecânico nos pinos dos gatilhos, calcular a rota exata de cada projétil e prever o micromovimento dos músculos das operadoras antes mesmo que elas apertassem o metal.
Com um movimento quase preguiçoso, Arthur desviou do primeiro disparo, avançou com a velocidade de um relâmpago e desarmou a líder do esquadrão com uma torção de pulso limpa, usando o próprio corpo da oponente como escudo antes de apagá-la com um golpe preciso na nuca. Ao lado dele, Hanna executou uma rasteira lateral perfeita, neutralizando a segunda guarda com a elegância letal de uma predadora alfa.
Menos de quatro segundos. Nenhum arranhão.
— Elas continuam tentando usar o mesmo playbook — comentou Arthur, sacudindo a poeira invisível de sua jaqueta tática, a respiração absolutamente calma. — Precisam atualizar o software.
Hanna guardou a arma no coldre de coxa, deixando escapar uma lufada de ar que carregava tanto a tensão do combate quanto um leve sorriso nos lábios. Ela olhou para Arthur, e pela primeira vez desde que se conheceram na floresta congelada da Polônia, os olhos azuis dela não continham o reflexo de um soldado hipervigilante. Havia apenas uma vulnerabilidade genuína e profunda.
— Você tornou algo impossível... fácil — disse Hanna, aproximando-se dele em passos curtos e deliberados.
O corredor estava silencioso, isolado do resto da base por portas de contenção blindadas que Arthur havia trancado digitalmente pelo painel anterior. Eles tinham alguns minutos de absoluta paz antes que Marissa Wiegler percebesse que nenhum de seus subordinados estava respondendo aos chamados.
Arthur encostou as costas na parede metálica fria do corredor. Quando Hanna parou bem na sua frente, a apenas alguns centímetros de distância, ele pôde sentir o calor corporal dela dissipando o gelo que parecia permear todo o complexo subterrâneo.
Através do Elo de Loba, a conexão entre eles era quase palpável — uma sinfonia mútua de batimentos cardíacos sincronizados e pensamentos convergentes. Mas ali, naquele instante, o instinto de combate deu lugar a algo muito mais humano.
Arthur levantou a mão enluvada, retirando com extrema delicadeza uma mecha de cabelo loiro que havia escapado do rabo de cavalo de Hanna e colado em sua testa suada. Os dedos dele roçaram de leve na pele macia da bochecha dela. Hanna fechou os olhos por um segundo, inclinando-se instintivamente contra o toque, como se estivesse absorvendo toda a segurança e o calor que ele oferecia.
— Você não precisa mais ser a arma que eles construíram, Hanna — sussurrou Arthur, a voz baixa e rouca, perdida na imensidão daqueles olhos claros. — Você é dona de si mesma agora. De nós dois.
Hanna abriu os olhos, encarando-o com uma intensidade que queimava. As barreiras emocionais que Utrax gastara anos construindo em sua mente desmoronaram de vez, soterradas por tudo o que haviam vivido juntos.
— Eu sei — respondeu ela, a voz falhando minimamente antes de recuperar a firmeza. — E eu não quero mais fugir... nem fingir que o que sinto é apenas parte do treinamento.
Sem hesitar, Hanna puxou a gola da jaqueta de Arthur, diminuindo o espaço que restava entre eles. Seus lábios encontraram os dele em um beijo firme, inicial e carregado de uma urgência contida, mas que rapidamente se transformou em algo terno, profundo e definitivo.
Era o selo de uma nova vida. Em meio às cinzas de uma agência secreta destruída e nas entranhas de um império de monstros, a garota que nunca conhecera o amor encontrou seu refúgio nos braços do homem que reescreveu seu destino.
Quando se separaram, a respiração de ambos estava ligeiramente alterada. Hanna encostou a testa no ombro de Arthur, deixando escapar um suspiro longo e genuíno de paz, com um pequeno sorriso brincando no canto da boca.
— Oficialmente... nós passamos da fase de parceiros — murmurou Hanna, olhando de sossego para ele com um brilho divertido e desafiador no olhar.
Arthur riu baixinho, envolvendo a cintura dela com firmeza e puxando-a para mais perto. — Era sobre o tempo, loba. Era sobre o tempo.
Mas a trégua romântica durou pouco. Um som abafado de passos pesados e o chiado de transmissores de rádio ecoaram do outro lado da porta blindada do setor principal. Marissa Wiegler estava vindo pessoalmente.
Arthur ajustou o cinto de munição, sentindo o poder dos seus atributos de elite zumbindo sob a pele, pronto para proteger o que agora era inteiramente seu.
— Pronta para o ato final? — perguntou ele, olhando para a garota ao seu lado.
Hanna desembainhou sua faca tática, o aço brilhando sob a luz fluorescente, com um sorriso frio e mortal dançando em seu rosto. — Sempre. Vamos acabar com a criadora.
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