Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 56: O Legado e os Novos Rumos
Três semanas se passaram desde a queda definitiva de Gordon Carmichael e o desmantelamento total da Utrax. O outono europeu trazia ventos frescos e folhas douradas que forravam as ruas arborizadas de Genebra, onde Arthur e Hanna haviam decidido fincar raízes temporárias em uma discreta residência à margem do lago Léman.
A calmaria, antes um conceito quase abstrato para ambos, tornara-se a nova rotina.
Pela manhã, a tela translúcida do sistema ainda pairava ocasionalmente na periferia da visão de Arthur, mas agora exibia apenas uma interface estável e silenciosa, como um testamento silencioso de uma jornada que reescrevera os limites da realidade humana. O Multiplicador 1000x permanecia em modo de manutenção passiva, garantindo que suas capacidades físicas e mentais continuassem em um patamar transcendente, mesmo sem nenhum conflito à vista.
Na cozinha integrada, o som de louça leve e o aroma de café fresco preenchiam o ambiente. Hanna cantarolava baixinho enquanto preparava o desjejum, vestindo roupas casuais e confortáveis que contrastavam fortemente com os uniformes táticos e coturnos blindados de antigamente.
O toque suave de um smartphone sobre a bancada quebrou a tranquilidade matinal. Arthur olhou para o visor: era uma chamada criptografada de Erik Heller.
— Atenda o velho aliado — disse Hanna, sorrindo de canto enquanto servia duas xícaras.
Arthur aceitou a chamada e colocou no viva-voz. A voz de Erik soou nítida, carregada de uma leveza inédita.
— Arthur? Espero não estar interrompendo as férias perpétuas de vocês — começou Erik, rindo do outro lado da linha. — Só liguei para dar o relatório final. Os últimos processos contra Carmichael foram encerrados nos tribunais de Haia. Condenação perpétua, sem direito a recursos. E quanto aos escombros da agência... assumi o cargo de reestruturação do comitê de supervisão civil. Estamos limpando a casa de cima a baixo. Ninguém mais vai usar programas secretos como a Utrax para brincar de deus.
— Bom trabalho, Erik — respondeu Arthur, com um tom de aprovação genuína. — E quanto a você? Vai passar o resto da vida em uma repartição burocrática em Langley?
— Nem pensar — riu Erik. — Estou montando uma consultoria privada de segurança e auditoria ética. Bem longe dos holofotes. Se algum dia precisarem de um favor legítimo — ou de um bom café em Washington —, as portas estão abertas. Câmbio e desligo.
A chamada encerrou com um bipe suave.
Arthur olhou para Hanna, que se aproximou e entregou-lhe a xícara de café, encostando o ombro no dele enquanto contemplavam a paisagem calma do lago através da janela.
— Parece que o mundo realmente aprendeu a lição — murmurou Hanna, tomando um gole da bebida.
— Pelo menos por um bom tempo — retrucou Arthur, envolvendo a cintura dela com um braço.
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