Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

Capítulo 31: A Trilha da Liberdade e o Novo Horizonte

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A nevasca nos Cárpatos finalmente começara a dar trégua, substituída por um amanhecer de tons azulados e dourados que cortava a imensidão branca das montanhas. O silêncio que reinava na encosta agora não era mais o de uma zona de guerra latente, mas o de um mundo que respirava aliviado.

Arthur e Hanna desciam a trilha sinuosa em direção à ravina onde haviam deixado Erik Heller. A cada passo na neve firme, Arthur sentia o corpo perfeitamente sintonizado. O Multiplicador 1000x operava em segundo plano, transformando cada contração muscular e cada ajuste de postura em ganho permanente de proficiência.

A mão de Arthur estava entrelaçada à de Hanna. O toque firme e quente servia como âncora mútua, lembrando-os de que, embora o passado os tivesse marcado com fogo e sangue, o futuro agora pertencia inteiramente a eles.

Ao entrarem na cavidade rochosa, encontraram Erik acordado. O veterano estava pálido, com o rosto marcado pela dor e pelo frio, mas o curativo compressivo havia cumprido seu papel de conter a hemorragia interna. Ao ver o casal entrar ileso, um sorriso cansado e genuíno despontou nos lábios rachados do ex-agente.

— Pela expressão de vocês... suponho que O Berçário não exista mais — disse Erik com voz rouca, apoiando-se na parede de pedra.

— Marissa Wiegler está morta, e a instalação foi totalmente purgada pelas chamas e pelas próprias sombras da agência — respondeu Arthur, ajudando Erik a se levantar com um apoio firme. — A Hidra perdeu o coração e a cabeça.

Erik soltou um longo suspiro, como se um peso de décadas tivesse saído de seus ombros. — Vocês conseguiram o que eu tentei fazer a vida toda... Acabaram com eles.

Hanna agachou-se ao lado do pai adotivo, ajustando o capuz do casaco dele com um carinho contido que poucas vezes demonstrava. — E agora nós vamos garantir que você se recupere de verdade, Erik. Longe daqui.

Horas mais tarde, o trio conseguiu alcançar a van camuflada na cortina de pinheiros. Com Arthur ao volante, guiando o veículo pesado pelas estradas secundárias que cruzavam a fronteira rumo ao oeste da Europa, a sensação de claustrofobia e perseguição constante começou a se dissipar.

Durante a longa viagem, enquanto Erik descansava no banco traseiro, Hanna permaneceu no banco do passageiro, observando a paisagem em silêncio. O reflexo do sol da tarde dançava em seus olhos azuis, que agora brilhavam com uma clareza inédita — sem o véu da programação mental ou o terror dos laboratórios da CIA.

Ela virou o rosto para olhar para Arthur, que dirigia com uma calma absoluta, seus sentidos de Rank A- monitorando cada detalhe da estrada.

— O que vamos fazer agora, Arthur? — perguntou Hanna, a voz suave, quebrando o zumbido constante do motor. — Não temos mais distintivos, códigos ou ordens a seguir. Somos apenas nós.

Arthur olhou para ela de sossego, um sorriso confiante e acolhedor desenhando-se em seu rosto. Ele estendeu a mão livre, segurando levemente a nuca de Hanna e puxando-a para um beijo rápido e terno antes de voltar os olhos para a pista.

— Nós vamos fazer o que quisermos, loba — respondeu Arthur, convicto. — O mundo é grande o bastante para desaparecer dele... ou para conquistarmos o nosso próprio espaço do zero. A escolha é inteiramente nossa.

Hanna encostou a cabeça no vidro da janela, sorrindo de verdade pela primeira vez em anos, sentindo o calor do Elo de Loba pulsar suavemente em seu peito. O pesadelo havia terminado. O amanhecer de uma nova vida finalmente havia chegado.

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