Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x

Capítulo 25: O Amanhecer nas Cinzas e a Cabeça da Hidra

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O sol da manhã rasgava as nuvens cinzentas de Berlim, lançando feixes de luz pálida através das janelas sujas de um galpão abandonado no distrito industrial de Marzahn. Este era um dos antigos esconderijos de contingência de Erik, um local intocado pelas garras da CIA há mais de uma década.

Lá dentro, o silêncio era quebrado apenas pelo som rápido dos dedos de Erik batendo no teclado de um laptop criptografado.

Arthur estava encostado na parede de tijolos expostos, segurando uma garrafa de água. Ele fechou os olhos, ainda se acostumando com a mudança drástica em sua fisiologia. O salto para o Rank A- em Agilidade e Percepção havia mudado sua forma de experimentar a realidade.

Para testar seus novos limites, ele soltou a garrafa de água no ar.

Para uma pessoa normal, a garrafa cairia em uma fração de segundo. Para os novos sentidos de Arthur, o objeto parecia flutuar em câmera lenta. Ele podia ler a trajetória exata, o leve giro do plástico e até as gotas de condensação se desprendendo. Com um movimento casual, sua mão chicoteou pelo ar, agarrando a garrafa antes que ela descesse dois centímetros.

Um som familiar ecoou em sua mente.

[Ação de reflexo instantâneo detectada.] [Multiplicador 1000x Aplicado!] [Proficiência de Controle Cinético: +1000 exp. Rumo à Maestria Avançada.]

Arthur sorriu de canto. O multiplicador 100x já o havia transformado em um monstro tático em poucas semanas. Com o multiplicador 1000x, o simples ato de respirar em um ambiente hostil ou praticar movimentos básicos o faria evoluir a uma velocidade que desafiava a própria lógica divina.

— Você está diferente — a voz de Hanna soou ao seu lado. Ela havia se aproximado sem fazer o menor ruído, mas Arthur já sabia que ela estava ali.

Com a nova habilidade Elo de Loba, era como se houvesse uma corda invisível ligando os dois. Ele podia sentir o estado de alerta dela, a cadência de sua respiração e até a ausência de intenção hostil. Era uma percepção mútua; Hanna também o olhava com uma curiosidade fascinada, sentindo que seus instintos de sobrevivência agora se entrelaçavam perfeitamente com os dele.

— Apenas me adaptando — respondeu Arthur, oferecendo a garrafa a ela. — Sinto que poderíamos lutar de olhos vendados agora e ainda assim não erraríamos um golpe.

Hanna pegou a garrafa, os dedos roçando nos dele. Um sorriso quase imperceptível, mas genuíno, surgiu em seus lábios. — Eu gostaria de testar isso depois.

A bolha de tranquilidade foi estourada por um suspiro pesado de Erik. O ex-agente girou a tela do laptop para que os dois pudessem ver. O que estava na tela não era a tela de vitória que eles esperavam.

— Nós destruímos o centro de operações de Marissa Wiegler, sim — começou Erik, a voz rouca pelo cansaço. — Mas os dados que extraímos... eles pintam um quadro muito mais sombrio. Wiegler não era a arquiteta de Utrax. Ela era apenas a zeladora de um projeto muito maior.

Arthur se aproximou da mesa, seus olhos de Rank A- escaneando e memorizando os documentos criptografados na tela instantaneamente.

— Fase Dois... — murmurou Arthur, lendo o cabeçalho de um arquivo confidencial.

— Exato — confirmou Erik, apontando para um mapa mundi cheio de pontos vermelhos. — Nós éramos a Fase Um. Hanna era a prova de conceito. Mas enquanto eu fugia com ela para a floresta, o programa não foi encerrado como Marissa me fez acreditar. Ele evoluiu. A CIA terceirizou Utrax para um consórcio militar privado. Existem dezenas de outras garotas. Treinadas não em bases oficiais, mas em instalações clandestinas off-the-books.

Hanna paralisou, seus olhos azuis brilhando com uma mistura de choque e fúria fria. — Mais de mim? Presas?

— Pior do que presas, Hanna. Transformadas em armas perfeitas. E, de acordo com isso, a instalação principal, conhecida como O Berçário, fica em um vale isolado nas montanhas da Romênia.

Arthur cruzou os braços, a mente tática já processando o próximo passo. A caçada não havia terminado; eles haviam apenas cortado uma das cabeças da Hidra.

— Marissa Wiegler sobreviveu ao incêndio em Berlim — disse Arthur, deduzindo a partir do modus operandi da mulher. — Ela vai tentar limpar as pontas soltas. Ela vai recuar para a Romênia para ativar as garotas da Fase Dois contra nós.

Erik assentiu, o olhar sombrio. — Se formos até lá, não estaremos enfrentando mercenários ou agentes de terno. Estaremos enfrentando um exército de Hannas.

Hanna olhou para suas próprias mãos e, em seguida, para Arthur. O medo que outrora poderia tê-la paralisado não existia mais. O Elo de Loba pulsou em ressonância com a confiança inabalável do Rapaz.

— Então nós vamos até a Romênia — declarou Hanna, a voz afiada como aço. — E vamos libertá-las. Ou queimar O Berçário até as cinzas.

Arthur tocou o ombro de Erik, os olhos fixos no mapa pontilhado de vermelho na tela do laptop. — Arrume passaportes falsos e transporte blindado, Erik. O jogo virou. Nós não somos mais as presas fugindo pela floresta.

Erik fechou o laptop com um estalo seco. O rosto do veterano estava marcado por linhas profundas de exaustão, mas havia um brilho perigoso de determinação em seus olhos que não se via há anos. — Tenho antigos contatos operando no mercado negro em Viena. Podemos conseguir identidades novas, armamento pesado e uma rota fantasma até a fronteira romena em quarenta e oito horas — disse ele, guardando o computador na mochila. — Mas até cruzarmos a fronteira, somos os fantasmas mais procurados da Europa. Wiegler vai mobilizar tudo o que tem.

— Deixe que ela tente — murmurou Hanna, a voz fria e cortante.

Nas quarenta e oito horas seguintes, o trio mergulhou em uma rotina de sombras. Eles se moveram por rotas secundárias, trocando de veículos três vezes antes de finalmente chegarem a um galpão clandestino em Viena, onde Erik garantiu uma van de transporte reforçada e um arsenal que faria um pequeno exército corar.

Para Arthur, no entanto, aquele tempo de inatividade foi tudo, menos um descanso.

O Multiplicador 1000x havia transformado sua existência em um reator nuclear de aprendizado. Ele não precisava mais de combates mortais constantes para evoluir; o simples ato de existir e focar sua mente já era o suficiente.

No fundo da van em movimento, enquanto cruzavam as planícies gélidas do leste europeu, Arthur passou horas lendo manuais táticos roubados da CIA e executando exercícios isométricos de altíssima tensão muscular. Cada repetição, cada simulação mental de invasão que ele processava era amplificada exponencialmente pelo sistema.

[Aviso do Sistema] [Análise Tática de Terreno Montanhoso concluída.] [Multiplicador 1000x Aplicado!] [Proficiência: Empatia Tática / Leitura de Comportamento subiu para Rank B-.]

Arthur abriu os olhos no escuro do veículo, sentindo os músculos densos e a mente afiada como uma navalha. Ele olhou para o lado. Hanna estava sentada no banco oposto, limpando e calibrando uma pistola Glock 19 com uma eficiência mecânica e silenciosa.

Ele não precisou dizer uma palavra. Através da habilidade Elo de Loba, Arthur sentiu a mudança na respiração dela no momento em que ele despertou de sua meditação tática. Ela levantou os olhos azuis, encontrando os dele no espelho retrovisor interno.

A conexão era assustadora de tão fluida. Se Arthur movesse a mão esquerda em direção ao coldre, ele sabia instintivamente que Hanna já estaria cobrindo seu flanco direito antes mesmo que o pensamento terminasse de se formar em sua mente. O trauma e a programação assassina que a CIA havia tentado instalar nela haviam sido suplantados por algo muito mais forte: confiança absoluta em seu parceiro.

— Está muito silenciosa — comentou Arthur, a voz baixa para não acordar Erik, que dormia no banco do motorista após ser rendido na direção pelo próprio Arthur algumas horas antes (a van estava no piloto automático enquanto Arthur monitorava a estrada).

Hanna terminou de montar a arma com um clique satisfatório. — Estou pensando nas outras. Nas garotas da Fase Dois.

— Com medo de enfrentá-las?

— Não — ela respondeu rapidamente, balançando a cabeça. — Estou com medo do que eu faria se não tivesse encontrado meu pai. E se não tivesse encontrado você. Wiegler as moldou em algo... vazio. Nós vamos ter que matá-las, Arthur?

Arthur observou a paisagem nevada passando rapidamente pela janela. A moralidade em seu antigo mundo era cinza, mas no mundo de Utrax, era um abismo escuro.

— Nós vamos tentar salvá-las, Hanna. Vamos dar a elas a mesma escolha que você teve — disse Arthur, o tom grave, sem falsas promessas. — Mas se elas tentarem nos matar para proteger quem as escravizou... nós não hesitaremos. Você entende isso?

Hanna olhou para a arma em suas mãos, o reflexo metálico brilhando em seus olhos, antes de assentir lentamente. — Sobrevivência primeiro.

— Sempre.

Algumas horas depois, a van começou a subir por uma estrada sinuosa e coberta de gelo. O ar ficou rarefeito e o termômetro do painel despencou drasticamente. Eles haviam cruzado a fronteira.

Os Cárpatos erguiam-se ao redor deles como gigantes adormecidos de pedra e neve. Em algum lugar no coração daquelas montanhas isoladas, escondido da vigilância de satélites e das leis internacionais, ficava O Berçário.

Erik acordou no banco da frente, espreguiçando-se antes de olhar pelo para-brisa. A tensão voltou imediatamente aos seus ombros. — Estamos a menos de vinte quilômetros das coordenadas do vale central — informou o ex-agente, checando o GPS criptografado. — A partir daqui, qualquer veículo não autorizado será detectado por sensores térmicos e sísmicos. Teremos que seguir a pé.

Arthur desligou o motor da van e a escondeu em uma densa cortina de pinheiros. Ele vestiu seu casaco tático de inverno, checou os carregadores e sentiu o poder latente de seus Atributos Rank A- zumbindo sob a pele.

O coração da Hidra ainda pulsava, mas ele tinha a lâmina certa para cortá-lo.

— Muito bem — disse Arthur, a respiração formando névoa no ar congelante enquanto abria a porta traseira da van. — Vamos caçar.

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