Sobrevivendo em Hanna: Meu Sistema 100x
Capítulo 23: Silêncio nas Galerias e o Calor Entre as Sombras
O som da água gotejando nas paredes de concreto moldava um ritmo monótono e hipnótico enquanto o grupo avançava pelas entradas da galeria de esgoto desativada. O ar ali embaixo era pesado, carregado com o cheiro de ferrugem, terra molhada e o tempo esquecido.
À frente, Erik Heller caminhava com passos mecânicos e precisos, iluminando o caminho com uma lanterna de luz fraca. Dieter havia ficado em um posto de observação mais seguro nos arredores, encarregado de monitorar as frequências da CIA caso o sinal de alerta disparasse.
A três passos de distância, Arthur e Hanna seguravam a retaguarda, cobertos pelas sombras da galeria.
A proximidade fechada pelo ambiente escuro e claustrofóbico criava uma bolha de isolamento particular para os dois. Cada movimento sincronizado — o modo como Arthur verificava os cantos cegos e como Hanna cobria o flanco oposto sem precisar de uma única palavra de instrução — demonstrava o quão profunda a simbiose entre eles havia se tornado. O treinamento intenso e constante flerta com o perigo não apenas afiavam suas capacidades de combate, mas derretiam as barreiras que a infância isolada e brutal de Hanna havia erguido ao seu redor.
Em um trecho mais estreito do túnel, onde a estranha descia em declive acentuado, Erik parou por um instante para ajustar o mapa emborrachado.
Hanna aproveitou uma breve pausa. Ela encostou as costas contra a parede fria de tijolos e olhou para Arthur. A penumbra da galeria suavizava os traços duros de seu rosto, deixando em evidência o brilho intenso de seus olhos azuis.
— Você não tem medo? — ela disse em uma sugestão quase inaudível, que mal superava o eco da água escorrendo. — Do que está lá em cima. De terminarmos isso e... não sabermos o que vem depois.
Arthur parou de escanear o teto com a lanterna e voltou-se para ela. O espaço entre os dois era de apenas alguns centímetros. Ele podia sentir o calor suave emanado do corpo dela, um contraste reconfortante com o frio gélido do pescoço.
— Antes de te conhecer, eu não tinha por que me importasse com o que vinha depois — respondeu Arthur com voz firme e calma, estendendo a mão para tocar suavemente o rosto de Hanna, com os nós dos dedos roçando a bochecha dela com delicadeza. — Agora... o único futuro que me importa é aquele em que saímos vivos daqui. Juntos.
Hanna fechou os olhos por um segundo, absorvendo o toque. A rigidez habitual de sua postura desapareceu por completo. Ela deu um passo à frente, encostando a testa no ombro de Arthur e respirando fundo, absorvendo a estabilidade e o carinho que ele oferecia — algo que nenhuma instalação de Utrax jamais conseguiria programar ou destruir.
— Juntos — repetiu ela, com a voz rouca compartilhada de uma verdade absoluta.
A alguns metros dali, Erik virou-se para verificar o progresso dos dois. Ao ver a cena, o velho soldado conteve um suspiro que carregava tanto rompimento quanto uma ponta de melancolia. Ele balançou a cabeça de leve, virando-se novamente para a frente. A loba de Utrax havia encontrado seu refúgio, e pertencia ao jovem que a acompanhava.
Nesse exato momento, um brilho dourado e sutilmente piscou na visão periférica de Arthur, acompanhado pelo som abafado do sistema processando a evolução contínua de suas habilidades através da marcha silenciosa e da sintonia tática.
[ALERTA DE SISTEMA: PROGRESSÃO DE CAPACIDADE DETECTADA]
Movimentação furtiva em ambiente confinado e sinergia de dupla otimizada.
Atualização de Status:
O Combate Corpo a Corpo Militar evoluiu para o patamar superior de proficiência.
Empatia Tática / Leitura de Comportamento alcançou novos limites de precisão preditiva.
— Chegamos — chamou Erik em voz baixa, apontando uma lanterna para uma pesada porta de ferro gradeada no final do corredor.
Através das barras enferrujadas, era possível ver a escadaria de serviço que dava acesso direto ao subsolo do antigo centro de distribuição postal — o coração operacional disfarçado de Marissa Wiegler na Europa Central.
Arthur avançou-se lentamente, segurando a mão de Hanna por mais um segundo antes de soltá-la. A doçura do momento evaporou-se instantaneamente, originalmente pela frieza experimental de previsões prontas para o bote.
Hanna sacou sua arma, checou o ferrolho com um clique perfeito e olhou para Arthur, com os olhos azuis faiscando de determinação. O portão da base da CIA estava logo ali, e a grande batalha final para conquistar o sistema 1000x e o Elo de Loba estava prestes a começar.
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